Sem “revólver na mão”: como Carla Zambelli destruiu a própria carreira política

Carla Zambelli viu sua carreira política ruir após o radicalismo, o episódio da arma e o isolamento institucional, culminando em prisão no exterior e no colapso de sua imagem pública.

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A ex-deputada Carla Zambelli(PL-SP) Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão


A imagem que marcou a trajetória pública de Carla Zambelli foi a da arma em punho, correndo atrás de um homem em plena rua, às vésperas de uma eleição. Ali, algo se rompeu de forma irreversível. O que veio depois foi apenas a sequência lógica de escolhas mal calculadas, excesso de radicalização e desprezo pelos limites que a política democrática impõe.

Hoje, o noticiário fala de Carla Zambelli longe do plenário, longe do mandato, longe do protagonismo que um dia teve. Segundo relatos divulgados pela imprensa, ela teria sido agredida mais de uma vez por detentas durante o período em que esteve presa na Itália. Independentemente da confirmação judicial desses episódios, o simbolismo é devastador: a mulher que construiu sua imagem pública na confrontação e na intimidação agora aparece associada à vulnerabilidade e ao isolamento.

Não se trata de celebrar a dor alheia. Trata-se de compreender o percurso. Zambelli não perdeu espaço por perseguição, nem por acidente político. Sua queda foi construída passo a passo, discurso após discurso, gesto após gesto. Ao trocar o debate pela provocação, a política pela performance e a responsabilidade institucional pelo espetáculo ideológico, ela minou a própria credibilidade.

A política não perdoa quem confunde mandato com palco e militância com salvo-conduto. O episódio da arma foi mais do que um escândalo: foi um divisor de águas. A partir dali, Zambelli deixou de ser vista como parlamentar e passou a ser enxergada como símbolo de um extremismo que assusta, isola e cobra seu preço.

A prisão no exterior — e os relatos de agressões — funcionam como metáfora cruel desse fim. Fora do discurso inflamado, fora das redes sociais, fora da bolha de apoiadores, sobra apenas a realidade dura das consequências. O poder que parecia inabalável evapora rápido quando o cargo acaba e o personagem já não se sustenta.

A história de Carla Zambelli é um alerta contemporâneo. A política não destrói carreiras sozinha; ela apenas revela escolhas. E quando essas escolhas são guiadas pelo radicalismo e pela crença de que tudo é permitido em nome de uma causa, o fim raramente é discreto. É barulhento, constrangedor e solitário.

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