Tainara não é estatística: violência contra a mulher e a urgência por justiça

A morte de Tainara Souza Santos expõe a violência contra a mulher, o feminicídio e a impunidade da Justiça no Brasil.

 

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Tainara Souza Santos — Foto: Arquivo pessoal

Tainara Souza Santos, de 31 anos, morreu após semanas internada no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ela não resistiu às graves consequências da violência extrema que sofreu ao ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro na Marginal Tietê. O que poderia ser apenas mais uma nota policial tornou-se um retrato cruel da violência contra a mulher no Brasil.

Gravemente ferida, Tainara passou por procedimentos cirúrgicos complexos, incluindo a amputação das pernas. Lutou pela vida até onde foi possível. Sua morte encerra uma batalha desigual entre a tentativa de sobreviver e a brutalidade de um crime que deixou marcas permanentes em sua família.

O caso passou a ser tratado pelas autoridades como feminicídio, um tipo de crime que evidencia a dimensão da violência de gênero no país. Não se trata de um episódio isolado. Casos semelhantes se repetem diariamente, revelando falhas na segurança pública, na prevenção e na proteção efetiva das vítimas.

Enquanto processos seguem seu curso, famílias enfrentam o luto e a ausência. A Justiça brasileira, frequentemente lenta, ainda falha em transmitir a sensação de punição imediata e eficaz. Essa fragilidade alimenta a percepção de impunidade, que segue sendo um dos principais fatores de repetição da violência.

Tainara não era número. Não era estatística. Tinha nome, história, vínculos e sonhos interrompidos. Sua morte expõe um sistema que reage após a tragédia, quando a vida já foi perdida, e reforça a necessidade de políticas públicas eficazes, amparadas pelos direitos humanos e pela aplicação rigorosa da lei.

Falar de Tainara é falar da urgência em enfrentar a violência doméstica, fortalecer a Lei Maria da Penha e garantir que mulheres não precisem morrer para serem ouvidas. Não é discurso de ódio. É um chamado à responsabilidade coletiva.

Que o nome de Tainara Souza Santos permaneça como memória e alerta. O silêncio diante da violência também produz vítimas.

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